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"Zara Zerou": Loja Zara em Fortaleza possui código para avisar da entrada de clientes negros e pobres

Funcionários eram orientados a acompanhar de perto clientes "fora do padrão"

              Foto: Reprodução Policia Civil

Agência Cariri Ensi

No mês passado, o Cariri Ensi trouxe a matéria sobre o caso de uma delegada negra que foi impedida de entrar em uma loja Zara no Shopping Iguatemi, em Fortaleza, onde foi levantada a suspeita de crime de racismo.

No decorrer das investigações, o gerente responsável por impedir a entrada da delegada Ana Paula Barroso, Bruno Felipe Simões de 32 anos, disse que o motivo de ter barrado a sua entrada foi o uso indevido da máscara. Na ocasião, Ana Paula entrou na Zara usando a máscara no queixo e consumindo um sorvete. No entanto, imagens internas mostram clientes brancas sendo atendidas e circulando pela loja sem máscara. 

Bruno Felipe foi indiciado por crime de racismo e pode pegar de um a três anos de reclusão e pagar multa.

Além disso, a investigação da Polícia Civil afirma que a Zara possui um código para avisar os seguranças da entrada de clientes que não se encaixam no padrão de consumidor da loja. A informação parte de testemunhas que trabalharam na loja.

A delegada Arlete Silveira, diretora do Departamento de Defesa de Grupos Vulneráveis, detalha como funcionava o alerta: os funcionários recebiam o código secreto "zara zerou" pelo sistema de som e a partir daí eram orientados a identificar clientes que não faziam o perfil da loja. Esses clientes eram geralmente pessoas negras ou com roupas mais simples, que deixavam de ser vistos como consumidores para serem tratados como suspeitos.

Duas ex-funcionárias da Zara foram ouvidas pela Polícia e relataram a ocorrência de procedimentos discriminatórios e assédio moral. As imagens do circuito interno coletadas também mostram o tratamento diferenciado dado a clientes brancos e negros.

Entidades do movimento negro entraram na Justiça do Ceará pedindo R$ 40 milhões de indenização por dano coletivo. A delegada Ana Paula também pode entrar com ação privada contra a loja.

Em nota de imprensa, a Zara nega a existência de tal código e que racismo vai contra os valores da loja. A varejista não quis informar se Bruno Felipe Simões continua trabalhando como gerente.



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