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Assassinato de ex-prefeito de Granjeiro completa dois anos sem julgamento e com réus soltos

 Processo criminal, que tem 17 réus, está sob segredo de Justiça. Há acusados presos, em liberdade por decisão judicial e foragidos


Legenda: João Gregório Neto foi assassinado enquanto caminhava próximo à parede do Açude Junco, na cidade de Granjeiro, na véspera do Natal

Há dois anos, na véspera do Natal de 2019, o então prefeito de Granjeiro (na Região do Cariri), João Gregório Neto, o 'João do Povo', era surpreendido em sua caminhada matinal e assassinado a tiros. Passados 731 dias, o processo criminal ainda não chegou na fase de julgamentos e alguns dos 17 réus estão em liberdade.


A ação penal por homicídio qualificado, que tramita na 1ª Vara Criminal da Comarca do Crato, está sob segredo de Justiça. Em razão disso, o Ministério Público do Ceará (MPCE) - que denunciou 17 pessoas pelo crime - informou, via assessoria de comunicação, que não poderia se manifestar sobre o assunto.


Questionado sobre a situação do processo na última terça-feira (21), o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) respondeu, também por meio da assessoria de comunicação, que não possuía informações detalhadas sobre o caso devido ao recesso forense, em que as unidades judiciárias funcionam em escala de regime de plantão. No caso da 1ª Vara Criminal do Crato, o plantão seguinte seria nesta sexta-feira (24).


Já a Polícia Civil do Ceará (PCCE), também em respeito ao sigilo imposto pela Justiça, se resguardou a informar que "o inquérito policial que investigava o homicídio que vitimou o prefeito João Gregório Neto, o 'João do Povo', ocorrido no dia 24 de dezembro de 2019, no município de Granjeiro, foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário. Todos os envolvidos no crime foram devidamente identificados e indiciados".


A reportagem apurou que o processo está na fase de instrução e já teve ao menos duas audiências, para ouvir testemunhas do crime. Alguns dos réus pelo crime aguardam pela pronúncia do processo e pelo julgamento em liberdade - com ou sem a aplicação de medidas cautelares. O que revolta a família de 'João do Povo'.


A gente sabe que é uma quadrilha muito grande de assassinos envolvidos. Tem uns que vivem transitando como se nada tivesse acontecido. A gente fica com aquele sentimento de impunidade, uma tristeza, uma dor muito grande. Esses indivíduos tiraram a vida de um cidadão que só estava fazendo o bem, um pai de família. A gente sabe que nada vai trazê-lo de volta, mas a gente quer que a Justiça seja feita e que eles paguem pelo crime que cometeram."


FERNANDA GREGÓRIO

Sobrinha de 'João do Povo'

A sobrinha de João Gregório conta que, apesar dos dois anos que se passaram, a família ainda sofre muito: "A dor e a saudade são enormes. A ausência dele é sentida diariamente. A gente tem a impressão que com o passar do tempo as coisas vão se acalmando, mas com a gente não foi dessa forma. Todo dia 24, quando completa mês, parece que passa um filme na cabeça da gente".


O ex-assessor de 'João do Povo', Cléber Freitas, que trabalhava próximo do ex-prefeito, também pede por Justiça, com a prisão e a condenação dos acusados, além da expulsão de um policial militar da Corporação.


Réus aguardam julgamento em liberdade

Entre os 17 réus pelo assassinato de João Gregório Neto, estão pessoas que teriam idealizado o plano criminoso, contratado e executado. A motivação do crime, segundo a investigação da Polícia Civil, foi a rivalidade política no Município.


Alguns dos acusados pelo crime que chocou o Ceará são o ex-vice de 'João do Povo', Ticiano da Fonseca Félix, o 'Ticiano Tomé', que viria a assumir a Prefeitura Municipal de Granjeiro após o homicídio; o pai dele, Vicente Félix de Sousa, o 'Vicente Tomé' (que também foi prefeito do Município); e o tio, José Plácido da Cunha. Além do cabo PM Mayron Myrray Bezerra Aranha, apontado como o coordenador da execução do plano criminoso.


'Vicente Tomé', preso preventivamente junto do filho em julho de 2020, foi para a prisão domiciliar, em fevereiro de 2021, devido à sua idade, 62 anos, ser considerado um fator de risco para a Covid-19. O empresário Geraldo de Freitas, apontado como um financiador do crime, conseguiu a liberdade sem uso de tornozeleira eletrônica. Já o irmão de Vicente, José Plácido, nunca foi preso pelo homicídio e segue foragido.


O advogado de Ticiano e Vicente no processo informou à reportagem que não irá se manifestar neste momento. As defesas dos outros acusados não foram localizadas para comentar o caso.


CONFIRA A LISTA COMPLETA DE RÉUS PELO CRIME:

Ticiano da Fonseca Felix

Vicente Felix de Souza

José Plácido da Cunha

Geraldo Pinheiro de Freitas

Mayron Myrray Bezerra Aranha

Joaquim Maximiliano Borges Clementino

Francisco Rômulo Brasil Leal dos Santos

Willyano Ferreira da Silva

Wendel Alves de Freitas Mendes

Anderson Mauricio Rodrigues

Luis Alberto Ferreira Marques

Thyago Gutthyerre Pereira Alves

Luanna Pinheiro de Freitas

Lucia Vanda Carlos de Freitas

Manuel Fernando Bezerra Ariza

Jose Edvaldo Soares de Souza Filho

Maria do Socorro Freitas da Cruz


Fonte: Diário do Nordeste

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