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Bolsonaro é proibido pela Justiça de usar termo "lepra" publicamente

Lei que estabelece terminologia oficial proíbe uso do termo; Em dezembro, Presidente disse que na época de Cristo "o leproso era isolado"

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O  presidente Jair Bolsonaro (PL) foi proibido de usar o termo "lepra" e seus derivados para se referir à hanseníase em declarações públicas. A decisão da 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro, publicada no último sábado (15), atende a um pedido do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan).

A entidade recorreu ao judiciário depois que Bolsonaro fez um discurso, em dezembro do ano passado, no qual usava o termo "lepra". A legislação brasileira - Lei 9.010/1995 - determina o banimento dessa expressão, considerada como violadora da dignidade humana.

"Quem já leu ou viu filmes daquela época, quando Cristo nasceu, o grande mal daquele momento era a lepra. O leproso era isolado, distância dele. Hoje em dia, temos lepra também, continua, mas o mundo não acabou naquele momento", disse o presidente em discurso.

A sentença do juiz federal Fabio Tenenblat deferiu parcialmente o pedido feito pelo Morhan. Apesar da proibição de uso do termo, o magistrado resolveu não aplicar multa em caso de descumprimento da decisão.

A entidade tinha solicitado multa diária no valor de R$ 50 mil, caso Bolsonaro ou qualquer outro representante da União voltasse a usar o termo. Tenenblat negou por "presumir que haverá reiteração no descumprimento da legislação por parte de autoridades federais".

No entanto, o magistrado reconheceu que um discurso do presidente, gravado pelos canais de comunicação do governo, podem ser considerados como documento oficial. E, dessa forma, são alcançados pela Lei nº 9.010/1995.

Tenenblat destaca ainda, na decisão, "a histórica dívida que a sociedade tem com as pessoas atingidas pela hanseníase". E menciona "os abalos psicológicos causados pelo uso de termos estigmatizantes e discriminatórios por autoridades públicas".

Fonte: iG

 

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