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Moradores passam até 10 dias seguidos sem fornecimento de água em cidade no interior do Ceará

Situação se intensifica no último ano e a falta de chuvas já secou o açude que ajuda a abastecer a cidade

Foto: Alex Barbosa/Diário do Nordeste/Reprodução

Os moradores de Monsenhor Tabosa, no Sertão de Cratéus, adaptam a rotina para realizar atividades básicas, como tomar banho e lavar roupa, devido à incerteza sobre quando terão água disponível na torneira. Em alguns bairros, o fornecimento fica suspenso por cerca de 10 dias e o problema está mais intenso há cerca de um ano por causa da falta de chuvas.
Com isso, as famílias em situação de vulnerabilidade social são mais prejudicadas: a compra de água por caminhão pipa, alternativa utilizada, pesa no bolso ou sequer é uma opção. Os taboenses também observam o principal açude da cidade em barro seco.
"Tem alguns bairros que têm água todos os dias, mas outros como é o exemplo do meu, que passam quase uma semana sem ter água", resume a estudante Natiele Mesquita, de 17 anos, moradora do Alto da Boa Vista.

“O pior é as famílias que têm poucas condições terem que comprar água para tomar banho, lavar louça e roupas. Quem tem uma condição melhor se junta em um bairro e compra um caminhão pipa", destaca.
Por isso, os moradores partilham experiências sobre a instabilidade no fornecimento em grupos de mensagens e buscam respostas para o problema. "Quando chega água a gente aproveita e lava roupa, só que é muito chato a falta d'água. Falam que é porque os poços estão secando, porque não está chovendo”, comenta.
Os períodos de escassez hídrica também são citados pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) em resposta ao Diário do Nordeste. Em nota, a Cagece informou sobre os esforços para garantir o abastecimento de água em Monsenhor Tabosa.
“Com o objetivo de buscar novas fontes de captação, a companhia perfurou mais de 200 poços nos últimos cinco anos, construiu adutoras para captar água nos açudes da região e trata a água proveniente de cacimbões da cidade”, detalhou.
A Cagece também destacou o fornecimento de água para distribuição na Operação Pipa no município. Contudo, as atividades com 11 caminhões pipas foram suspensas em janeiro para regularizar a situação junto à Defesa Civil do Estado, como explicou o chefe de gabinete do município, Toinho Sampaio.
“Nós estávamos com a Operação Pipa por meio da Defesa Civil, trazendo água de Santa Quitéria e Crateús, a Prefeitura havia mandado instalar caixas em lugares de difícil acesso”, acrescenta. Nesta quinta-feira (3) a equipe foi ao município e as atividades devem ser retomadas na próxima semana.
O chefe de gabinete contextualiza que a falta de um bom período chuvoso prejudica a vazão dos poços. Além disso, a cidade está localizada a 800 metros de altitude. “Há ruas onde moradores reclamam da falta de água por 10 dias devido à baixa vazão de água nos poços profundos”, detalha.
Toinho explica que a cidade possui cerca de dois caminhões pipa próprios e afirma haver uma articulação para a perfuração de mais poços.
Prejuízos ampliados
O contador Fernando Rodrigues, de 54 anos, define a situação como dramática por ver que o açude de Monsenhor Tabosa "não tem água para matar a sede de um passarinho". Conforme os dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos, o açude hoje seco estava com 82% da capacidade há exatos 12 anos.
 
"Eu moro no Centro da cidade e semana passada mesmo passou entre quatro e cinco dias sem água. Neste período a gente deixa de lavar roupa e fazer as atividades principais com água", compartilha.
Fernando comenta que o abastecimento em carro pipa gira em torno de R$ 250. Na casa onde vivem três pessoas, todos precisam limitar a rotina.
"Nessa época do ano está muito quente e a gente só toma banho uma vez por dia, o banheiro a gente procura ao máximo não dar descarga. A lavagem de roupa, que a gente fazia toda semana, a gente está programado para 15 em 15 dias", detalha.

Reprodução:Diário do Nordeste 

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