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Atos do 1º de Maio pró e contra governo Bolsonaro têm baixa adesão

Em vídeo transmitido na Avenida Paulista, Bolsonaro foi sucinto, elogiou seus apoiadores e não atacou STF. Lula participou de evento em frente ao estádio do Pacaembu e focou em direitos trabalhistas e qualidade de vida.

Imagens: Reprodução/ Redes Sociais 

O presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que devem se enfrentar nas urnas em outubro, participaram de atos neste 1º de Maio, Dia do Trabalhador, que não atraíram grandes multidões, indicando que a população em geral ainda não está engajada para participar de eventos de campanha em torno dos dois principais nomes da disputa.

O receio que Bolsonaro reeditasse a sua participação no feriado de 7 de Setembro do ano passado, quando ele fez na Avenida Paulista um discurso inflamado com ameaças golpistas contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também não se confirmou.

O presidente já havia dado uma estocada nessas instituições na quarta-feira, quando defendeu uma contagem paralela de votos nas eleições realizada pelas Forças Armadas. Neste domingo, porém, Bolsonaro esteve por apenas cerca de dez minutos no ato de Brasília e não discursou, e sua rápida fala na Avenida Paulista, transmitida em vídeo, não trouxe ataques diretos ao Judiciário.

“Essa manifestação é pacífica como todas as demais em defesa da Constituição, da família e da liberdade (…) Devo lealdade a todos vocês, temos um governo que acredita em Deus, respeita os seus militares, defende a família e deve lealdade ao seu povo”, afirmou Bolsonaro. “Estarei sempre ao lado da população brasileira. Agradeço ao criador pela minha vida e a vocês por terem me ofertado essa missão de conduzir o destino do Brasil, porque o bem sempre vence o mal”, disse o presidente. Seus apoiadores encheram cerca de três quarteirões da Paulista, segundo veículos de imprensa.

Em Brasília, o ato reuniu poucos apoiadores do presidente e teve como pauta elogios ao indulto concedido a Silveira, a defesa de sua elegibilidade nestas eleições e ataques ao Supremo, com faixas como “Fora a ditadura da toga” e “Criminalização do comunismo. Destituição dos ministros”.

Bolsonaro havia sido aconselhado por aliados a não participar dos atos desde domingo para não acirrar ainda mais, neste momento, o conflito com o Supremo. A concessão do indulto ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), um dia depois após ele ter sido condenado pela Corte, foi considerada um vitória política pelos bolsonaristas, mas a sugestão de uma contagem paralela de votos despertou reações negativas também dos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

No Rio, estrela é Daniel Silveira

A presença mais celebrada nos atos bolsonaristas realizados no Rio de Janeiro foi Silveira, que participou de manifestações em Copacabana e na orla de Icaraí, em Niterói.

Em Copacabana, Silveira fez discursos nos três caminhões de som que estavam no local e disse que o Brasil tem hoje “presos políticos” e que a sua própria prisão, em 2021, havia sido “inconstitucional”.

“O Brasil hoje tem presos políticos: Roberto Jefferson, eu, Oswaldo Eustáquio, Wellington Macedo, Alan dos Santos exilado, e vários outros que talvez eu não consiga nominar aqui. Isso é inadmissível em um país que grita democracia. Fala que tem democracia, mas age como ditadura. Então, não se dobrem perante a arbitrariedades estatais. Quem manda no Brasil somos nós”, afirmou

Silveira também defendeu o armamento da população, uma das bandeiras de Bolsonaro. “O de nove dedos [referência a Lula] disse que ia acabar com a família, com o armamento. Eu estou armado, quem tiver armado não é bandido não, quer se proteger”, afirmou. No sábado, Lula havia dito, em um evento em São Paulo, que “o povo brasileiro não está precisando de armas, está precisando de paz.”

Ele foi saudado pelos manifestantes como candidato a senador em outubro, mas, ao condená-lo, o Supremo também determinou a sua inelegibilidade. O STF ou o TSE ainda deverão avaliar se os efeitos do decreto de indulto abrangem também o seu direito de disputar eleições.

Lula prioriza fala sobre economia e qualidade de vida

O ato organizado por sete centrais sindicais foi realizado em frente ao estádio do Pacaembu, em São Paulo, e também não encheu, apesar de ter como chamarizes a presença de Lula e shows de Daniela Mercury e Leci Brandão, entre outros.

Reprodução: Isto é

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