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Política ambiental de Juazeiro: Entre o insuficiente e o inexistente (OPINIÃO)

 

Imagem: Reprodução/ Redes Sociais 

Coluna de opinião por Sued Carvalho

Basta ter olhos e uma boa visão (Ou estar com os óculos em dia) para perceber o quão pouco a pauta ambiental é valorizada, discutida e aplicada em Juazeiro do Norte. Por todo o centro da cidade é chocante a minúscula quantidade de árvores encontradas e a quase inexistência de áreas verdes. A Rua São Pedro, principal artéria do comércio local é caso emblemático, em toda a sua extensão encontram-se áreas verdes apenas em dois pontos: Praça da prefeitura e Praça Padre Cícero.
Esse déficit de áreas verdes não é intuitivo apenas, ele existe de fato e é um problema grave, como atesta um estudo realizado por Antônio Soares Barros, Rigobero Moreira de Matos, Patrícia Ferreira da Silva e José Dantas Neto publicado na Revista Brasileira de Geografia Física (Volume 08, nº 04 de 2015):
 
O Índice de áreas verdes expressa a relação entre a área dos espaços verdes de uso público, em km² ou m², e a quantidade de habitantes de uma determinada cidade. Neste cálculo estão incluídas as praças, os parques e similares, ou seja, aqueles espaços cujo acesso da população é livre. Este índice é um instrumento importantíssimo que ajuda no planejamento urbano de uma cidade, dando valores que permitem avaliar a qualidade de vida da população. Assim, a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana sugere que exista pelo menos 15m² de áreas verdes por habitantes.
 
No artigo citado os autores chegaram a uma conclusão preocupante sobre a cidade de Juazeiro do Norte, onde afirmam:
 
O índice de área verde total IAVT foi de 1,03m² por habitante. (...) Pode-se observar que o índice de Juazeiro está muito aquém do mínimo recomendado. Os baixos índices de áreas verdes encontrados se justificam pela política de embelezamento da cidade adotada pelos governantes, que visam o predomínio da impermeabilização das praças e canteiros e juntamente com as altas temperaturas registradas na localidade, as tornam subutilizadas.
 
O índice de áreas verdes recomendado nas cidades brasileiras é 15m², Juazeiro reserva, atualmente 1,03m². Certo, é um dado preocupante, mas o leitor pode perguntar: Sim, mas e daí? Uma cidade em rápido crescimento como Juazeiro do Norte, marcado por verticalização, isto é, construção acelerada de edifícios com mais de dez andares, sem uma política de arborização eficiente, corre o risco real de se tornar uma ilha de calor que, por sua vez, é um espaço que concentra altas temperaturas, afetando profundamente o bem estar da população, aumentando gasto de energia com ar condicionado e ventiladores, assim como pressionando o sistema de saúde pelo aumento potencial de problemas respiratórios.

O mais próximo que temos de uma bancada interessada em temas ambientais em nossa região e, naturalmente, em Juazeiro são os vereadores e vereadoras da causa animal. Tenho total respeito pelo importantíssimo trabalho realizado pelas vereanças dedicadas a essa pauta, no entanto é importante ressaltar sua insuficiência.

Além do já citado problema de déficit de áreas verdes, o soldadinho do Araripe, um dos principais símbolos da fauna de nossa região, está ameaçado de extinção, assim como vivenciamos mensalmente na chapada do Araripe queimadas ilegais e pedreiras na cidade de Juazeiro atuam de forma absolutamente agressiva com os ecossistemas onde se instalam. A pauta animal deve ser resumir, portanto, a defesa de animais domésticos e de tração na zona urbana? Evidentemente que não.

Falar em pauta animal sem se referenciar a defesa dos ecossistemas e da fauna de nossa região é enxugar gelo ou, no mínimo, deixar de tratar o problema com a profundidade que ele merece. E é aqui que o título da presente coluna explica sua razão de ser: Da parte da prefeitura inexiste uma política séria de corrigir o déficit de áreas verdes em Juazeiro do Norte e, da parte dos defensores da causa animal, ligada inquestionavelmente aos temas do meio ambiente, há insuficiência por focarem demais apenas em um dos aspectos da questão.

Esta coluna não está, de maneira alguma, desmerecendo o trabalho das vereanças ligadas à pauta animal e é por reconhecer o valor dessas políticas que elaborei essa crítica construtiva: É vital para a nossa região uma política série de defesa da fauna, da flora e de correção do déficit de áreas verdes, que afeta o bem estar de humanos, mas não apenas, pois os animais também sofrem com o calor excessivo.
Uma frente regional de vereadores em defesa da chapada do Araripe, que elabore políticas a serem propostas em nível estadual e federal no sentido de defender nosso patrimônio natural é urgente. Juazeiro do Norte e a região do Cariri podem passar de párias na questão da defesa do meio ambiente à referências nesse indicador, basta esforço, engajamento e vontade política.

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