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O mosquito é o único culpado pelo surto de Chikungunya em Juazeiro do Norte?(OPINIÃO)

 

Imagem: Reprodução/ Redes Sociais 

Coluna de opinião por Sued Carvalho

Juazeiro do Norte é o segundo município em casos de Chikungunya no Estado do Ceará, ficando atrás apenas de Fortaleza. 

A maior cidade do Cariri tinha, em 24 de junho de 2022, segundo dados da Secretaria de Saúde estadual, 3.670 casos da doença. Seria o mosquito Aedes aegypti, o famoso mosquito da dengue, o culpado pelo surto? Seria razoável acreditar que sim, afinal ele é o transmissor da doença, no entanto o problema é mais complicado.

São bem conhecidas as condições para procriação e alastre do Aedes aegypti, o mosquito precisa de água parada para colocar seus ovos e se aproveita de garrafas em lixões, pneus jogados em terrenos baldios, etc. para se reproduzir. Conhecendo as formas de reprodução do mosquito e, ainda assim, não evitando sua procriação, o poder público e as comunidades apenas sofrem as consequências naturais: Os mosquitos irão passar pelo processo de crescimento, buscar alimento, ferroar pessoas e transmitir doenças que estejam em seu organismo, no caso do animal a qual nos referimos, a zika, chikungunya e dengue.

No Brasil o Aedes Aegypti encontra condições favoráveis para reprodução e já há décadas o país sofre com sustos das doenças que o mosquito espalha, pois segundo dados do ranking do saneamento básico 2019 do Instituto Trata Brasil, 100 milhões de brasileiros ainda não contam com coleta de esgoto (47,6%) e somente 46% dos esgotos são tratados.
Esgotos a céu aberto, sem tratamento e casas sem coleta, a situação do saneamento básico no Brasil é lastimável, não basta a população colocar bacias para baixo e colocar área em pneus abandonados, o verdadeira raiz do problema da dengue e chikungunya em nosso país é a falta de saneamento básico.

Não é surpreendente, portanto, que Juazeiro do Norte esteja em segundo lugar em casos de chikungunya, pois segundo o Ministério Público Estadual do Ceará em 2016, a cidade tem o 6º pior sistema de esgoto do Brasil e a situação tem piorado consideravelmente, afinal conforme dados da secretaria de saúde municipal, Juazeiro hoje tem mais casos da doença do que há três anos.

A coleta de lixo irregular, a falta de saneamento básico, a má fiscalização de terrenos baldios, o número insuficiente de agentes de saúde, postos de saúde fechados, inexistência de uma política de saúde preventiva e de um hospital público municipal formam uma nefasta equação cujo resultado inequívoco é o surto de chikungunya, mas não apenas, configurado como está o sistema de saúde público de Juazeiro do Norte é vulnerável a qualquer surto, epidemia ou pandemia.
Para as próximas décadas o Brasil, o Ceará e Juazeiro do Norte devem ter como prioridade a universalização do Saneamento básico, que salvaria milhares de vidas, daria mais bem estar aos habitantes das grandes cidades e diminuiria o fardo sobre o Sistema Único de Saúde.
 

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